Publicado originamente no ehPARANÁ em 08/08/2011 às 18h44
Você tem acesso à internet?
Costuma acessar as redes sociais?
Essa ultima pergunta é cada vez menos necessária, não é mesmo? Quase que não é mais possível imaginar alguém que acesse a internet e não acesse as redes sociais e esse é um fenômeno que permite muitas explicações. A minha é a seguinte: a internet está contida nas redes sociais, e não o contrário. Há alguns indícios que podem nos ajudar a compreender essa relação.
Em agosto de 2010 um jornal publicou uma reportagem sobre a utilização do Twitter por jovens londrinenses. Segundo a matéria “três jovens estão entre os quinze twitteiros mais. Influentes de Londrina”. Uma dessas jovens, com 15 anos de idade, afirmou passar “até 10 horas por dia distribuindo carisma no Twitter”. Dois dias depois dessa reportagem uma psicóloga leitora do jornal enviou uma carta criticando esse tipo de comportamento. Segundo ela “sobram 14 horas para a escola, tarefa de casa, alimentação, sono, convivência com a família, lazer, relacionamento com os amigos, religião e, quem sabe até um namorinho”. E faz o seguinte questionamento: “será que dá?”.
Se pensarmos que as redes sociais, como o Twitter, estão dentro da internet e que são uma coisa nova, que não fazia parte de nossas vidas antes dos computadores, é claro que fica evidente que não tem como dedicar 10 horas de nosso dia para essa novidade sem precisar cortar algo que tomava esse tempo antes. Porém essa me parece uma visão preconceituosa. Prefiro pensar que redes sociais fazem parte de um processo muito maior, que independe da internet para acontecer. Pensando assim a tecnologia seria apenas uma plataforma para que esse processo se amplie e aconteça com mais intensidade.
Ao longo das ultimas décadas nossa relação com as tecnologias, inclusive a internet, mudou ao ponto de não precisarmos mais nos “desconectar” do mundo para utilizá-las. Dessa forma, nas mesmas 10 horas que a personagem da reportagem passa “twitando” ela pode fazer outras coisas simultaneamente. Ou seja, as redes sociais não são “o que fazemos”, mas sim “como fazemos”.
Também em nossa vida profissional é possível observar esse tipo relação com as novas tecnologias. Numa pesquisa recente realizada pela Triad OS, 84,6% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de utilizar as redes sociais durante o horário de trabalho. Perceba que esse dado pode significar duas coisas completamente diferentes dependendo do ponto de vista. Quem avalia as redes sociais como mais uma opção de entretenimento na internet, certamente vê esse tempo como desperdício e como uma séria ameaça à produtividade das organizações. Já quem compreende as redes sociais e os relacionamentos como um processo mais amplo e que agora podem ser ampliados com o auxílio da tecnologia, o seu uso no trabalho passa a ser uma grande oportunidade.
É claro que há exageros e problemas nesse novo mundo tecnológico, mas aos poucos abordaremos esses assuntos aqui nesse espaço. Por hora fica o questionamento: qual o seu ponto de vista?
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