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Diário de bordo de Sergio Mari Jr.

Sumário X

Um mimo para a parte elétrica do motor

Publicado em: 22/05/2015
Por: Sergio Mari Jr.
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Uma coisa que sempre me incomodou nesse Fusca, desde que eu estava negociando sua compra, foi o estado da fiação que vem da bateria para o motor. Há algumas emendar mal feitas e as conexões estão menos bem cuidadas do que eu considero ser o ideal.

Na foto abaixo você pode ver as conexões dos cabos com o dínamo nas condições em que encontrei depois de uma boa limpeza:

Conexões elétricas do dínamo.

Nada grave, mas também nada do que eu pudesse me orgulhar.

Um dia desses, passeando pela internet, encontrei à venda uma pequena capa de proteção, que originalmente era utilizada para cobrir a conexão desse cabo vermelho. Não sei dizer se é compatível com o modelo do meu Fusca, mas decidi comprar, e ai está o resultado dessa pequena peça já instalada:

Capa do cabeamento instalada Capa do cabeamento instalada

Um resultado mais estético do que de desempenho, mas que será muito importante para as próximas etapas de manutenção que quero fazer nessa instalação elétrica.

Trocando a correia do Fusca

Publicado em: 15/05/2015
Por: Sergio Mari Jr.
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Me lembro de que quando comprei meu primeiro Fusca, muita gente me disse que a primeira coisa que eu deveria fazer seria mandar trocar a correia dentada. Cheguei a ficar com medo, tamanha era a importância que as pessoas davam para essa peça. Na época não tive como tomar outra decisão a não ser fazer o que me diziam... Mandei trocar a correia! Como eu não sabia trocar, levei a uma oficina para que o serviço fosse feito.

Recentemente comprei meu segundo Fusca, mas agora, além de ser meu meio de transporte, ele é um lazer, uma terapia. Então tudo o que eu puder não mandar fazer para fazer eu mesmo, assim será. Entre um Fusca e outro tive tempo de aprender que a tal correia dentada nem é tão importante assim. Aprendi, inclusive que ela não se chama correia dentada, mais sim correia trapedoizal.

Sua função é fazer girar o dínamo, gerador ou alternador, que fica logo acima do motor. A correia liga a polia do motor com a polia do gerador, transferindo a energia do primeiro para o segundo. Quando o dínamo, gerador, ou alternador giram, eles geram energia elétrica que é transmitida para a bateria para mantê-la carregada. Outra função do dínamo ou do alternador ao girar é fazer girar também a ventoínha, que atua na refrigeração do motor. Porém, essa não é a única forma de refrigeração, que também é feita com o ar de fora que passa pelo motor do carro.

Sendo assim, caso essa correia arrebente ou escape, o máximo que pode acontecer é bateria do carro descarregar ou o motor aquecer demais (o que seria bastante grave). Também é possível que ao arrebentar ela bata em alguma parte do motor, prejudicando algo mais, mas isso é muito improvável.

Um dia desses abri o motor para iniciar uma limpeza, afinal, como você pode ver nas fotos ele está um pouco sujo, e me deparei com a seguinte situação:

Correia do Fusca prestes a quebrar

Olhe com atenção para a imagem, pois eu também demorei um pouco para perceber... Ali, na altura da bomba de gasolina, há dois dentes faltando na correia e ela já está ressecada e quebradiça.

Sem pressa, pois o carro não ia explodir por causa disso, esperei o final de semana chegar, passei em uma autopeças e comprei uma correia nova, sem saber se conseguiria instalá-la, mas estava decidido a tentar. Não custa mais do que dez reais uma dessas. Caso eu não conseguisse, não sairia perdendo tanto assim.

O primeiro passo foi descobrir como essa troca é feita. Depois de alguma pesquisa na internet, aprendi que o processo é esse:

Soltando a porca da polia do dínamo

Nessa foto você pode ver as duas polias tradicionais de um Fusca. A debaixo, preta e maior, é a polia do virabrequim, que gira conforme o motor queima gasolina, e a de cima, menor e prateada, é a polia do dínamo (ou do alternador, se for o caso do seu carro), que gira movida pela correia.

Para retirar a correia do fusca é necessário soltar a porca que segura a polia do dínamo. Se você simplesmente girar a porca, polia irá girar e ela não irá se soltar. Então, o grande segredo está em você conseguir travá-la antes de tentar girar. Para isso utilize uma chave de fenda grande. Você precisa encontar um pequeno dente que existe atrás da polia (existem dois, um a cada 180º graus). Faça com que a chave passe por um desses dentes e encontre alguma ponto de apoio no corpo do dínamo para fazer uma alavanca. É difícil de explicar e essa foi a parte em que perdi mais tempo.

Depois que encontrar a posição para a chave de fenda e conseguir travar a polia, basta usar a chave de roda do carro para soltar a porca. Talvez seja necessário segurar a chave de fenda enquanto faz isso. Nesse caso você terá de girar a chave de roda com apenas uma das mãos, o que pode ser muito difícil caso a porca esteja apertada demais.

Quando desmontar, você perceberá que a polia do dínamo é formada de duas partes (a da frente e a de trás), e entre elas há algumas arruelas. Essas arruelas servem para regular a tensão da correia:

Arruelas da polia do dínamo do fusca

Provavelmente você não utilizará todas as arruelas, por isso algumas delas ficam presas do lado de fora da polia, como uma espécie de reserva caso elas venham a ser necessárias numa próxima troca. 

Você então deve passar a nova correia pela polia do motor, esticá-la com as mãos até o seu lugar na polia do dínamo e encaixar as peças no lugar.

Quanto mais arruelas você colocar para o lado de dentro da polia, mais larga ela vai ficar e mais folgada ficará a correia.

Quanto menos arruelas você colocar do lado de dentro da polia, mais apertada ela vai ficar e mais esticada ficará a correia.

Será necessário experimentar duas ou três combinações de arruelas até chegar na regulagem desejada. A correia não pode ficar nem muito folgada, nem muito apertada. Por isso, confira a tenção correta antes de tirar sua correia antiga, e tente deixar a nova o mais parecido possível.

As arruelas que sobrarem ficam atrás da porca, do lado de fora da polia.

Esse foi o resultado final desse trabalho:

Correia trocada

O Fusca e o ar quente

Publicado em: 04/05/2015
Por: Sergio Mari Jr.
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Há muito o que se dizer sobre a genialidade do projeto do Fusca, creditado à paternidade de Ferdinand Porche. Uma dessas genialidades, na minha opinião, está na solução encontada para o aquecimento interno do carro, fundamental para o conforto térmico de seus usuários na maioria dos países europeus.

A primeira imagem abaixo mostra as partes que compõem essa solução e a segunda mostra a conexão do sistema dentro do motor.

Sistema de ar quente do Fusca Sistema de ar quente do Fusca

O sistema de ar quente nasce no motor. O Fusca é refrigerado a ar, ou seja, o ar passa pelo motor enquanto o carro está em movimento e resfria o óleo que o lubrifica. Ao refrigerar o óleo e o motor esse ar esquenta e parte dele é captada pelas mangueiras que podem ser vistas apontadas para cima nas fotos e é direcionada para o rodapé da carroceria do carro, pelas chamadas caixas de ar, por meio das mangueiras que podem ser vistas apontadas para a esquerda na primeira foto. Por fim esse ar quente chega ao interior do veículo por uma abertura que fica próxima aos pés do motorista e do passageiro da frente, como pode ser visto na foto abaixo:

Saída do ar quente do fusca

Do interior do carro é possível controlar a abertura dessa passagem de ar quente por meio de uma borboleta como essa abaixo (que eu comprei e instalei só para manter a estética do carro :D), que fica ao lado da alavanca do câmbio e do freio de mão:

Borboleta do ar quente do fusca

Porém, além desse ar utilizado para refrigerar o motor, o sistema também capta um pouco de ar quente próximo ao escapamento, por meio de duas peças, uma de cada lado do carro, conhecidas como pêras, como essa abaixo:

Pêras de captação de ar quente do Fusca

Esse sistema equipou os Fuscas no Brasil até o início dos anos 1970. Por conta desse último detalhe (captação de ar junto ao escapamento) e também pela falta da necessidade de aquecimento interno na maior parte do país, no Brasil esse sistema era frequentemente desativado pelos usuários e foi retirado do projeto do carro pela fábrica definitivamente, se não me engano, a partir de 1974. Trata-se de uma questão polêmica, pois alguns acreditavam que o sistema permitiria o envio de gás carbônico para o interior do carro, intoxicando os passageiros. Acredito que isso só poderia acontecer caso existisse um furo no escapamento... De qualquer forma a opção da maioria dos brasileiros ao longo do tempo foi por desativar esse sistema.

A desativação era feita retirando-se todo o sistema, ou apenas tapando as passagens de ar, mantendo as peças no lugar para se manter a estética original. No caso do meu carro a opção foi por retirar totalmente o sistema, desde a capa da ventoínha, onde o ar quente é captado do motor, até a conexão com a caixa de ar, que pode ser vista na foto abaixo:

Conexão do sistema de ar quente com a caixa de ar da carroceria.

Porém, quando essa mangueira que conecta o sistema de aquecimento com a caixa de ar da carroceria é retirada, sobra uma abertura na lataria, que precisar ser tapada. No meu carro, no momento em que ele estava na oficina sem o motor, pude perceber que a solução encontrada por quem fez essa desmontagem em algum momento no passado para tapar essa abertura foi no mínimo porca. A pessoa simplesmente encheu o tubo da carroceria com estopa. Tentei mostrar isso na foto abaixo, mas creio que não é possível ver muito bem:

Abertura da caixa de ar

Logo que vi essa gambiarra, pensei o seguinte: imagine que esse carro passe por uma boa poça d'água, ou uma rua alagada, tão comum em algumas cidades do Brasil... Essa estopa se umideceria e ficaria segurando essa água toda junto à lataria do carro, contribuíndo para o início de um belo processo de oxidação. Então foi prioridade para mim, logo nos primeiros dias em que estava com o Fusca, resolver esse problema. E a solução foi bastante simples. Bastou adquirir essas tampas de borracha da foto abaixo, que são relativamente baratas e fáceis de encontrar:

Tampas da caixa de ar

Agora sim posso passar sem medo por uma rua alagada!

Etapa 1 - Mecânica

Publicado em: 25/03/2015
Por: Sergio Mari Jr.
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Depois de ter feito uma boa lipeza no Fusca, que incluiu a retirada de bezouros, formigas e cascas de cebola espalhadas por todo o carro, chegou a hora de fazer o que é necessário na parte mecânica.

  

A manutenção de um carro como o Fusca é diferente da manutenção de um carro moderno, em que basta abastecer e trocar o óleo a cada 10 mil quilômetros... O Fusca é mais rústico, mais resistente, mas também precisa de mais cuidados. Por isso, depois de muitos anos sem esses cuidados, foi preciso fazer tudo isso que você está vendo nas fotos.

A retirada do motor foi necessária para a troca dos coxins, do motor e do câmbio, bem como a troca de juntas e correção de alguns pequenos vazamentos de óleos. Muitos dizem que esses vazamentos são normais no Fusca... Conversa... Um Fusca bem cuidado não vaza óleo.

Outra coisa que costumam dizer que todo Fusca tem é uma certa folga no volante, que faz com que ele gire meia volta para cada lado sem mover as rodas... Conversa também... Um Fusca bem cuidado é tão bem alinhado e firme na direção quanto um carro novo.

Por isso também estou aproveitando essa parada no mecânico para refazer toda a suspensão dianteira. Como no Fusca 1972 a suspensão é na base de embuxamentos, essa tarefa passa necessariamente por um torneiro mecânico e alguma usinagem. Também estou trocando a caixa de direção, que não tinha mais regulagem de tão mal tratada que estava. E, é claro, colocando graxa, muita graxa!!! Engraxar a suspensão é uma coisa que não faz parte das preocupações de quem tem um carro moderno, mas no caso do Fusca isso precisa ser feito praticamente ano a ano. Quando perguntei sobre isso ao mecânico ele soltou essa:

-- Essa suspensão nunca viu uma graxa!

Olhando a situação dela dá quase para acreditar. O carro tem 43 anos de uso e a última vez que essa suspensão foi engraxada deve fazer pelo menos a metade desse tempo.

A próxima etapa será passar por um eletrecista e, enfim, a transferência no Detran, com a tão temida vistoria.

 

Comprei um Fusca

Publicado em: 20/03/2015
Por: Sergio Mari Jr.
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Fusca

Tomei coragem, comprei um Fusca. As vezes tenho a sensação de que recomprei meu Fusca, pois ele se parece um pouco, só um pouco, com outro fusca que eu tive há uns 10 anos.

Tomei essa decisão no fim do ano passado e, desde então, estava procurando um Fusca com as características que eu desejava. Basicamente buscava algo original, mas nem tanto. Queria um Fusca que mantivesse o espírito da sua época mas que já permitisse uma certa atualização em alguns aspectos, principalmente no que diz respeito à segurança e ao conforto. Acabei encontrando esse verde acima, que está arrumadinho mas ainda tem algumas coisas por fazer.

Primeiro eu queria um fusca anterior a 1970, pois ainda considero aquele o modelo mais bonito, mas não demorou para perceber que isso seria bem difícil. Os Fuscas dessa época que existem por ai ou estão muito mal cuidados, tornando inviável qualquer restauração, ou estão muito bem cuidados, elvando seu preço a um patamar que eu não estava disposto a pagar.

Passei então a procurar um pós 1970, tendo o ano de 1979 como limite, porque depois desse ano o modelo mudou e ele quis se parecer um carro moderno, coisa que nunca será. Acabei encontrando esse, ano 1972, que comprem no dia 16 de março de 2015.

Agora preciso cuidar dele, e procurarei postar aqui as aventuras e os resultados que esse doce trabalho certamente proporcionará.