A Internet e as ferramentas da Mídia Digital como apoio ao Processo de Relações Públicas

RESUMO

Este artigo propõe uma reflexão a respeito das mudanças no papel desempenhado pelo profissional de Relações Públicas nas organizações causadas pela internet e as novas mídias digitais. Inicialmente analisa os modelos de Processo de Relações Públicas propostos tradicionalmente pelos teóricos da profissão, concentrando-se no modelo construído por Cândido Teobaldo de Souza Andrade e posteriormente reorganizado por Waldyr Gutierres Fortez. Em seguida enumera as principais ferramentas das mídias digitais disponíveis para processos de Comunicação Empresarial. Finalmente, aponta como cada uma destas ferramentas pode ser empregada como suporte a cada uma das etapas do Processo de Relações Públicas.

Foi publicado na edição n.3 da Revista Midiálogos em novembro de 2009.

Leia na íntegra:
A Internet e as ferramentas da Mídia Digital como apoio ao Processo de Relações Públicas

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O Grêmio, o mensalão e a esquerda que me chama de coxinha

Fico cada vez mais convencido de que no Brasil não existe direita e a esquerda perdeu a mão. Os dois lados do espectro político encontraram caminhos diferentes para o próprio fracasso.

Pela direita…

Não há partidos. Não há organização política formal que defenda uma posição efetivamente de direita nesse país, simplesmente por medo de não vencer eleições. Afinal o pensamento de esquerda cuidou de demonizar nos últimos anos qualquer coisa que se pareça com direita. Basta mencionar a palavra privatização, mesmo onde ela faz sentido, para os gritos de “Coxinhaaa” aparecerem. Basta parecer um pouco conservador para te cuspirem: “Reaçaaaa”… E tem também a lembrança da ditadura militar, que não foi bem uma direita, mas sim o Brasil fazendo direita do jeito errado. Nessas eleições só o Everaldo está indo por esse caminho e está tomando suas pedradas. E ele só firma o pé em suas posições pois não tem e nunca teve perspectivas de vencer as eleições. Se tivesse viria para o centro.

Mas há o pensamento. Não há partidos mas o discurso de direita ainda vive nas ruas, nos taxis, nos bares, nas praças… Direita extrema não ganha eleição, mas ainda molda o comportamento de muita gente. Direita moderada ainda pode vir a ganhar eleição mas é muito difícil com o cenário atual. Os reaças de esquerda logo vão pensar que estou chamando de pensamento de direita as atitudes daqueles que amarram ladrões nos postes ou que apedrejam homossexuais… Não, não estou falando desses. Esses são criminosos e deveriam der presos, seja na sela da direita ou na da esquerda. Falo daqueles que defendem menos Estado, menos impostos, menos assistencialismo e mais meritocracia. O bom e velho pensamento de direita não radical e não extrema. Extremo não é bom nem na esquerda nem na direta.

Pela esquerda…

Há partidos. Dos mais de trinta, com certeza a maioria dos partidos políticos oficialmente existentes no Brasil são declaradamente de esquerda. Até alguns que os nazistas de esquerda dizem ser de direita, são no máximo de centro-direita e com mais certeza, de centro-esquerda, como é o caso do PSDB, por exemplo. Não sou expert em política mas sem paixões partidárias sei o suficiente para afirmar que o PSDB não é um partido de direita e que quem pensa isso caiu no conto da demonização proclamado por quem quer ganhar eleições.

Mas o pensamento… Ah! O pensamento de esquerda… É só minha humilde opinião, mas preciso dizer. O pensamento de esquerda no Brasil perdeu a mão. Deixou de ser construtivo (aqui estou considerando até mesmo que a opção pela revolução seja legítima e construtiva) há um bom tempo e passou a praticar tudo aquilo que, quando é praticado pelos ditos de direita é motivo para gritar: “coxinhaaa”, “reaçaaaa”.

Dois pesos e duas medidas

Se alguém rotulado como de direita privatiza, é demônio enquanto que se alguém que se diz de esquerda privatiza, é um santo que veio pra salvar o Brasil. Se algum político cuja fachada não desperte os que gostam de chamar todo mundo de reaça ou coxinha promove a distribuição de renda, é salvador, enquanto que se um político que tenha sido pichado mesmo que equivocadamente de direita promove a distribuição de renda, jogam nele as pedras do assistencialismo, paternalismo e populismo.

Pra um pode e pro outro não pode. A mesma decisão na mão de um está correta e na mão do outro é crucificável.

O Grêmio

O time gaúcho de futebol recebeu por esses dias a maior punição já tomada por uma equipe esportiva no país por racismo. Foi excluído da Copa do Brasil por que alguns de seus torcedores proferiram injúrias racistas contra o Aranha, goleiro dos Santos, em um jogo realizado em Porto Alegre.

Quando falo de pensamento político, ele serve para tudo, e não só para política partidária… Toda sociedade é política, inclusive o futebol. Então os exacerbados dos dois lados, destros e canhotos, teceram seus comentários sobre esse fato.

Pelo que percebi (posso estar enganado), as posições tomadas predominantemente por cada lado foram:

Os de direita defenderam o Grêmio, que não teria culpa pelo racismo de seus torcedores. O clube teria feito o que lhe cabia, que era identificar os culpados e entregar à justiça. Ele não teria como controlar o que os torcedores pensam ou dizem na arquibancada e por isso não deveria ter sido punido.

Os de esquerda defenderam a punição. O Grêmio seria sim co-responsável pelas injúrias e merecia uma punição exemplar, afinal é ele quem atrai e convoca a torcida, é ele quem incentiva a paixão dos torcedores e teria responsabilidade, sim, sobre a educação dos gritalhões.

O Mensalão

Já não sei mais se estou falando do Mensalão 1, Mensalão 2… Ou se os dois são um só… O fato é que tanto no mensalão do Marcos Valério quanto no mensalão da Petrobrás, os pensadores destros e canhotos atacaram. Mas nesse caso suas opiniões são agravadas pela questão partidária.

Os de direita acusaram o governo de ser cúmplice, de ser omisso… Os de esquerda (pelo menos os que estão no governo), disseram que não sabiam de nada no primeiro caso e agora, confortavelmente repetem o “eu não sabia” no segundo caso.

Não quero entrar no mérito da questão, se sabiam ou não… Então assumamos que, de fato, não sabiam.

Novamente dois pesos e duas medidas

Penso que, quem acha que o líder de um governo se exime da culpa quando diz que não sabia, não pode concordar que o Grêmio seja culpado, pois o clube efetivamente não sabia que alguns torcedores em sua arquibancada eram racistas.

Ou se é a favor da culpabilidade de quem está no comando e por isso é co-responsável por tudo, ou se é a favor de que cada um deve arcar com as consequências e o líder não pode responder pelos maus atos de seus subordinados.

Se a filosofia ou ideologia é a mesma, como pode haver julgamentos diferentes nesses dois casos?

Sou incapaz se compreender.

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Cedilha 2009: Valdorella Chianti

Valdorella ChiantiEm 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorarselecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o quinto.

2009 foi um ano que considero morno. Bons em alguns aspectos e ruins em outros. Foi um ano de muito trabalho e, por isso, muita atividade operacional e pouco pensamento estratégico. Basicamente continuamos fazendo as coisas que fazíamos, atendendo os clientes que atendíamos… De alguma forma as coisas estavam andando, mas na minha avaliação estávamos passivos demais.

Mais ou menos na metade do ano recebi a proposta de um amigo que abrira uma Agência de Propaganda para trabalharmos juntos. Como a Cedilha estava se concentrando em sua verdadeira vocação: mídia digital e projetos editoriais, não éramos concorrentes e essa era uma ótima ideia, afinal a união das duas empresas traria grande sinergia. O know-how de uma completava o da outra. Estabelecemos uma parceria e as duas empresas passaram a funcionar no mesmo endereço. Funcionou por algum tempo.

Foi um ano bastante positivo financeiramente. Tempo de recuperar investimentos e fortalecer o caixa. Creio que se não tivesse sido assim a empresa não teria continuado, mas graças a Deus tanto trabalho foi minimamente recompensado. Nessa época nosso modelo de negócio ainda tinha uma falha: apenas 10% da receita da empresa vinha de faturamento recorrente e todo o restante dependia de novos contratos. Demorou alguns anos ainda para corrigir essa falha, mas a essa altura eu já percebia que ela existia.

Pela primeira vez  foi possível ter esse tipo de preocupação – com o modelo de negócio ou com a saúde financeira da empresa. Por isso nesse ano tomei a iniciativa de desenvolver um sistema próprio para a gestão do nosso negócio. Transferimos para esse sistema todos os controles financeiros e de projetos que fazíamos em outros softwares ou até manualmente. Tenho convicção de que essa foi uma das melhores coisas que já fiz pela empresa. Os benefícios desse sistema são incalculáveis. Me pergunto como foi possível gerenciar a empresa por quase 5 anos sem ele!

Fizemos alguns projetos memoráveis nesse ano. Dois trabalhos que gosto de lembrar especialmente são o website da Arquidiocese de Londrina, que foi bastante desafiador mas com resultado final muito interessante, gerando contatos e amizades que estão vivas até hoje (atualmente o site não está mais sob nossa responsabilidade) e um website desenvolvido para a Embrapa Soja que embora seja simples, me orgulho bastante de ter feito.

Tudo isso é sinal de que a empresa amadurecera. Portanto, o vinho para representar esse ano precisava ser um vinho maduro. Não podia ser um vinho excelente pois considero que ainda não éramos excelentes, mas já podia ser um vinho bom.

Escolhi então esse Chianti Valdorella 2009, típico da região de Arezzo, Itália. Um ótimo vinho! Mas sempre que vejo ou tomo um vinho Chianti sou forçado a me lembrar que existem vinhos dessa região em uma outra categoria, os Chianti Clássicos… Ou seja, esse é bom, mas não é o Clássico. Assim como a empresa, que já era boa, mas ainda não estava no topo.

Pretendo degustá-lo no futuro em uma rodada de pizza gourmet, de preferência na beira de um forno.

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Cedilha 2008: Pampas del Sur Reserva Syrah

Pampas Del Sur Reserva Syrah 2008

Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o quarto.

O ano anterior, 2007, foi de muitas muitas mudanças. Talvez por isso esse ano de 2008 foi de certa estabilidade e maturação. Minha avaliação é que a partir desse momento a Cedilha começou a descobrir sua verdadeira vocação e a consolidar seu know how. Continuamos prestando uma grande variedade de serviços, mas aos poucos fomos nos concentrando naquilo em que éramos melhores.

Passamos a privilegiar em nosso trabalho a elaboração de projetos editoriais, para mídia impressa e digital. Catálogos, livros, revistas, jornais, portais de conteúdo, blogs… Em 2008, por exemplo, dedicamos bastante energia para o AgroRede Notícias, um jornal voltado ao agronegócio que produzimos entre o final de 2007 e a metade de 2009 e que cumpriu muito bem seu papel nesse período.

Em 2007 pusemos a cara no mercado. Atendemos um número recorde de clientes e, por isso, o nome da empresa ficou conhecido. Como consequência em 2008 fomos muito procurados. Chegamos a fazer 2 vezes mais orçamentos que o de costume. Para mim esse era um sinal claro de que a empresa tinha atingido outro patamar e tinha todas as condições para se firmar de uma vez por todas no movediço mercado da comunicação de Londrina.

Ainda não era um novo patamar em termos de faturamento ou de sucesso financeiro para empresa, pois, mesmo com tanta procura, fomos mais conservadores para tentar evitar os erros de 2007. Financeiramente os dois anos foram muito parecidos. Mas foi sim um novo patamar para a nossa marca que ganhou força e se consolidou, construindo uma reputação que com certeza é a maior conquista que a empresa já teve em todos esses anos. Por conta disso muitas portas se abririam nos anos seguintes.

Então, o vinho para representar 2008 tinha que ser um vinho de bastante força. Logo pensei na uva Syrah (ou Shiraz). Uma vez li que essa uva é caracterizada pelo “excesso de acidez e presença de taninos potentes, por vezes difíceis de controlar”… Essa característica acaba produzindo vinhos marcantes e de grande presença, até um pouco difíceis de harmonizar, mas que são complexos de muito bom gosto.

É um pouco de pretensão achar que a Cedilha tem todas essas características, mas para mim, com certeza os acontecimentos de 2008 a colocaram nesse caminho e representou o começo de uma nova fase que viria já a partir do ano seguinte.

Encontrei então esse Pampas Del Sur Reserva Syrah 2008. Excelente vinho argentino.

Pretendo degustá-lo no futuro acompanhado de um escondidinho de mandioca com carne seca. Prato forte e vinho forte! Que os dois se digladiem e que o paladar tente acompanhar.

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Cedilha 2007: Muito trabalho e pouco Glamour

Cedilha 2007Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o terceiro.

No ano anterior tínhamos mudado radicalmente o modelo de negócio da empresa, que deixou de funcionar no meu quarto para ter uma sede de verdade em uma sala comercial de verdade, ganhei dois sócios e passamos a oferecer um leque maior de serviços, que iam da confecção de logotipos e cartões de visitas até campanhas publicitárias completas para todas as mídias.

Por isso o ano de 2007 foi de muito trabalho e, talvez por isso, pouco glamour. Altos e baixos. Foi até hoje um dos anos em que mais produzimos e com certeza o ano em que atendemos o maior número de clientes individuais, mas também acredito que foi o ano em que tivermos mais problemas.

Não foi difícil perceber que tínhamos errado no core business. Montamos um plano de negócio que queria abraçar o mundo. Aos poucos percebemos que isso daria muito trabalho e pouco retorno. Eu, meus dois sócios e mais dois funcionários, poir mais competentes que fossemos, éramos pouca gente para muito serviço.

Foi um desses clientes que nos presenteou no final do ano com esse vinho que escolhi para representar 2007. Um vinho simples, de uma marca simples, nada sofisticado, promocional, com rótulo personalizado com a marca do nosso cliente, produzido em grandes quantidades e vendido bem barato…

Como foi um ano confuso, apesar de produtivo, o vinho também tinha que ser um pouco confuso. Não faço ideia de qual uva seja feito e apenas suponho que tenha sido produzido em 2007. Nunca saberei!

Não tenho planos ambiciosos para tomar este, pois há uma grande chance de que não esteja em condições de consumo daqui há alguns anos. Caso aconteça talvez o utilize para temperar uma boa salada.

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Cedilha 2006: Castillo de Molina Reserva Cabernet Sauvignon

Castillo de Molina Reserva Cabernet Sauvi

Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o segundo.

Depois de um primeiro ano trabalhando praticamente sozinho, 2006 foi um maravilhoso ano de consolidação. Ganhei dois sócios (meu irmão e um amigo) para esse negócio e as esperanças se renovaram.

O ano começou com muitas mudanças e muito trabalho. Encontramos um endereço comercial de verdade, uma sala linda, espaçosa e muito bem localizada, muito diferente do meu quarto. Refizemos o plano de negócio e redefinimos o planejamento estratégico da empresa, que deixou de ser exclusivamente uma fábrica de sites para se tornar uma agência de completa de Comunicação e Design. No mesmo esforço reformulamos sua missão, visão e valores…

Diante de tantas mudanças precisávamos de um novo nome, que representasse a nova identidade da empresa. Antes ela se chamava infoNauta, nome que na nossa opinião era muito banal. Essa acabou sendo uma das tarefas mais difíceis. A certa altura tínhamos tudo, menos o nome. Fizemos vários brainstorms e no final tínhamos uma lista com uma dúzia de possibilidades mas nenhuma delas saltava aos olhos.

Para decidir o nome, fiz então uma pesquisa de mercado. Elaborei um sistema que apresentava de um lado a lista de possíveis nomes e do outro lado um dos valores que escolhemos para a empresa. Coloquei esse sistema na internet e mandei para todo mundo que eu conhecia. O que eles tinham que fazer era dizer na opinião deles qual dos nomes da lista melhor representava aquele valor. O sistema ia armazenando as respostas e no final emitiu um relatório contendo quais os nomes foram mais escolhidos para cada valor.

Nesse relatório, destacou-se o nome Cedilha. Não sei bem porque coloquei esse nome na lista, mas no fim das contas (literalmente), ele era o que melhor representava a nova identidade da empresa. Não era americanizado, era moderno, diferente, descontraído… Serviu!

Com a mudança, financeiramente a empresa aumentou 12 vezes de tamanho e a quantidade de trabalho deve ter sido multiplicada por mil. Era o sinal de que muitos desafios vinham pela frente. Mas isso é assunto para outros vinhos.

Para esse ano de mudanças e principalmente de consolidação, tinha que escolher um vinho tradicional, mas ao mesmo tempo um pouco ousado. Sendo assim, a uva dificilmente seria outra que não a cabernet sauvignon. Deixei para comprar esse vinho muito tarde e foi bem difícil encontrar um 2006. Acabei encontrando um Castillo de Molina Reserva, Cabernet Sauvignon, do Cachapoal Valley, no Chile. Um vinho tradicional, porém não da região mais clássica do Chile (o Vale Central). Assim como o novo nome da empresa, serviu… Como uma luva.

Penso em saboreá-lo no futuro com um bom filet mignon na manteiga, talvez com champignon, bem temperado, acompanhado de uma massa a um sugo bem discreto.

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Cedilha 2005: Pata Negra Gran Reserva

Pata Negra Gran Reserva 2005Tinha que começar bem! O vinho escolhido para representar o primeiro ano de atividade da Cedilha Comunicação Digital foi um Pata Negra Gran Reserva safra 2005.

A história da empresa começa na verdade em 2004, quando eu ainda trabalhava como assistente de marketing em uma faculdade mas já começava a ter meus próprios clientes, mas foi em 2005 que conseguir formalizar esta atividade e passei a me dedicar exclusivamente a ela. Fico muito feliz quando me lembro que alguns desses primeiros clientes estão comigo até hoje, afinal, ninguém manteria um fornecedor por mais de 10 anos se o trabalho não fosse bem feito.

Mas, vamos falar de vinho… Porém não muito, pois esse é um daqueles assuntos que pode fazer qualquer um parecer babaca. Leia, por exemplo esse lindo floreio:

O tanino de caráter rijo junta-se ao caramelo de milho e dá tintas finais à uma coloração entre o rubi e frutas negras do semi-árido -com halo aquoso ainda em formação.

Palavras tão belas podem parecer a descrição de um vinho dos caros, mas não passa do Xico Sá falando da Jurubeba. Não sou especialista nem nos vinhos nem nas palavras. Só quero um pretexto para lembrar dessas histórias.

2005 foi um bom ano. As coisas estavam se consolidando. O que antes parecia um sonho absurdo de um profissional de comunicação que queria trabalhar com tecnologia começou a se tornar realidade e muitas esperanças se alimentaram. A empresa começou se chamando infoNauta e eu atendia os primeiros clientes no meu quarto. As vezes minha mãe preparava café para as reuniões que aconteciam em volta da minha cama ou em uma escrivaninha trambolhosa que mandei fazer com medidas absurdas que eu jurava serem as corretas.

Para relembrar toda essa esperança, tinha que escolher um bom vinho, dentro dos critérios que havia estabelecido.

Pata Negra Gran Reserva 2005 é um vinho feito da uva Tempranillho com denominação de origem, ou seja, feito conforme as tradições de uma certa região, nesse caso chamada Valdepañas, na Espanha.

Essa é uma receita clássica dos grandes vinhos: produzido a partir de uma grande uva processada aos modos de uma região ou de uma tradição vinícola. Sempre procurei transportar essa receita para a Cedilha. Acredito que um dos segredos desses 10 anos foi usar sempre tecnologia e metodologias de ponta mas com uma pegada local.

Vai ser bastante difícil conseguir isso por aqui, mas, como ela representa a esperança de um sonho que estava nascendo, não custa continuar sonhando… Quando abrir essa garrafa seria fabuloso saboreá-la acompanhando um legítimo presunto pata-negra.

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Cedilha Comunicação Digital: 10 vinhos para contar a história de 10 anos

Daqui há alguns meses a Cedilha Comunicação Digital completará 10 anos de atividade. Não é preciso dizer que durante todo esse tempo foi necessário enfrentar e superar muitos desafios e que muitos deles ainda virão.

Há 10 anos eu havia terminado a faculdade Relações Públicas e estava encantado com os primeiros passos de uma internet verdadeiramente interativa e social que apareceu após o estouro da bolha. Optei então por deixar meu emprego e empreender pois queria trabalhar fazendo sites. Criei então esta empresa que em seu primeiro ano se chamou InfoNauta – por isso o nome desse blog – e depois passou a se chamar Cedilha.

Apesar de todas as dificuldades e percalços posso dizer que tem valido a pena. São 10 anos de muito aprendizado e, principalmente, de muitas oportunidades. Por isso não poderia deixar de registrar de um modo especial toda essa história.

Não me lembro muito bem quando comecei, mas há algum tempo passei a colecionar uma garrafa de vinho para cada ano de atividade completado pela empresa, seguindo alguns critérios simples:

  1. O ano da safra do vinho de cada garrafa deve corresponder a um ano de atividade da empresa;
  2. De alguma maneira o vinho escolhido para um determinado ano deve ter relação com o momento que a empresa viveu naquele ano, destacando seus altos e baixos (ou seja, certamente haverão vinhos bons e vinhos ruins);
  3. O preço máximo de cada garrafa deve ser de R$ 60,00.

Ainda não escolhi o vinho para representar 2014, até porque os vinhos desta safra ainda não chegaram ao mercado e o ano ainda não acabou, mas aceito sugestões!

As nove garrafas colecionadas até agora estão todas guardadas e não sei quando terei coragem para começar a abri-las. Por enquanto farei um post apresentando o vinho escolhido para cada ano e o motivo de sua escolha e assim, talvez, quando abrir, poderei escrever sobre a experiência de tomar cada uma delas.

2005 | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014

In vino veritas.

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Quem tem medo da Dona Ilma?

Dona Ilma trabalha na escola há tanto tempo que não há qualquer outro ali que possa dizer desde quando.

A escola é igual a tantas ouras. Corredores compridos com salas de aula intercaladas lado a lado.

A sala da Dona Ilma fica no fim de um desses corredores. O único em toda a escola onde há salas que não são de aula.

Todos na escola sabem quem é a Dona Ilma e todos sabem que ela é importante. Há uma aura de respeito que beira ao temor em torno de tudo que diz respeito a ela.

— Vou contar pra Dona Ilma! Apelam diante de qualquer ameaça os alunos perseguidos e sem muita esperteza para se defenderem sozinhos.

Poucos sabem exatamente qual a função da Dona Ilma. Ela não é professora e nem diretora da escola. Secretária ela também vive esbravejando que não é. Talvez seja esse mistério que lhe garanta o respeito.

— Sei lá. Melhor não ser mandado para a sala da Dona Ilma. Ela é brava.

Como em uma escola pode haver alguém tão brava que todos temam? A menos que seja um daqueles liceus onde se pode dar palmadas e forçar ajoelhar sobre grãos de milho, o que há naquela sala para se temer tanto? Uma bronca? Uma advertência? De que elas servem nos dias de hoje?

E quem é que deu à Dona Ilma o poder da bronca? Porque a bronca dela parece valer mais que as das professoras de cada sala? Até o prenome reforça o mito. Ela é Dona e as outras são Tias.

Mas tem uma tia que, um dia por ano, se vinga do medo. Ela descobriu o caminho por acaso,sem planejamento e, mesmo sabendo que aquilo somente se repetiria uma vez por ano e que duraria apenas o tempo de uma única aula, era esse o momento que ela esperava com mais devoção. Era a professora do quarto ano A.

Aquilo se tornou um apoio sobre o qual ela depositava toda sua frustração com o sistema educacional e sua decepção com a escola. Ela via ali uma oportunidade de se desfazer do sentimento de impotência que a acometia quando se dava conta de que as crianças estavam sendo aprisionadas ao medo.

A coisa se repete já há uns dez anos. A sala do quarto ano A é uma das poucas salas de aula que ficam no mesmo corredor que a sala da Dona Ilma. As outras salas dali não são de aula.

Acontece apenas alguns dias após o dia da primeira prova, lá pelo mês de maio, quando os alunos, as professoras e a Dona Ilma são bastante cobrados e acabam ficando mais tensos. Com medo.

Nesse dia que já virou ritual a professora escreve a data no quadro a giz, pede para que os alunos abram o livro na página 72 e anuncia em um tom que faz parecer que aquele é o assunto mais interessante de todos:

— Hoje vamos falar de pronomes de tratamento.

Então ela vai explicando que a cada autoridade é reservado um pronome de tratamento formal, que deve ser utilizado em correspondências oficiais e convites dirigidos a elas, bem como em cerimoniais de eventos em que se fizerem presentes e precisarem ser anunciadas.

Os alunos até que gostam de saber que as autoridades de Estado dever ser chamadas de Vossas Excelências ou Excelentíssimos Senhores, que o bispo não é só Dom, mas também é Vossa Eminência ou Eminentíssimo Senhor. Tem sempre um que acha exagero chamar o reitor da universidade de Vossa Magnificência ou Magnífico Senhor.

— Ah! Eu já vi chamarem o papa de Vossa Santidade na TV.

Eles se atrapalham mesmo é com as abreviações. V. Ex.ª e V. Mag.ª parecem mais fórmula de matemática que coisa da aula de português.

É no fim da aula que a professora vai a forra. Depois de já ter explicado todos os pronomes, vocativos e abreviações correspondentes, ela diz que há um pronome reservado para quando a autoridade não é tão autoridade assim. Nesses casos o fulano que se acha importante mas não tem um cargo que se enquadre nos outros casos deve ser chamado de Ilustríssimo.

Ela faz em tom de deboche, para que os alunos percebam que isso é título para quem se acha mais importante do que é de fato. Eles até começam a chamarem uns aos outros de Ilustríssimos e Ilustríssimas.

Nessa hora muitos já estão rindo quando se dão conta de que no caso feminino a abreviação do pronome dos egos inflados é… Ilma.

O riso vai aumentando e logo se torna uma gargalhada generalizada. Como se todos passassem a entender por que a Dona Ilma se chama Ilma.

A Iluminíssima Dona Ilma ouve os risos e depois da aula elogia a professora por ter conseguido despertar os ânimos da turma tão fervorosamente.

Para esses alunos o medo da Dona Ilma vira deboche disfarçado. Ninguém mais depois do quarto ano, turma A, tem medo da Dona Ilma. Aparece um riso preso no canto da boca toda vez que o nome da toda poderosa é evocado.

E a professora… Bem, a professora fica feliz por tê-los libertado e fica esperando o próximo ano, quando alguns dias depois da primeira prova terá a chance de se vingar novamente.

Eu sou do quarto ano A.

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Missão: entender a missão da Petrobrás

Como leciono disciplinas de Administração e Gestão Estratégica para o curso de Comunicação, tenho acompanhado há algum tempo o modo como algumas empresas expressivas lidam com seu Planejamento Estratégico, especialmente aquela parte que deve ser pública e transparente, que normalmente contém a declaração da missão, da visão, dos valores e outros enunciados importantes para que possamos conhecer um pouco sobre a identidade uma organização.

Uma dessas empresas que optei por acompanhar tem sido a Petrobrás. Isso vem desde que me convenceram a colocar parte do meu Fundo de Garantia em ações da petroleira. Nesse período, a estatal vinha mantendo certa estabilidade em seu Planejamento Estratégico e poucas mudanças ocorreram em sua missão e visão, até que, em 2007, foi descoberto o petróleo do-pré sal e algumas alterações começaram a aparecer.

Estou escrevendo aqui com pouquíssimo conhecimento de causa, uma vez que tudo o que sei é o que vejo no site oficial da companhia e no noticiário em geral. Mas mesmo assim é possível aprender algumas coisas importantes sobre o Planejamento Estratégico observando as mudanças feitas pela Petrobrás em sua missão e visão nos últimos anos.

Missão da Petrobrás

A Missão de uma empresa deve representar claramente sua razão de ser. Deve responder a perguntas do tipo: Quem somos? Para que existimos? O que e como fazemos?

Até 2013 a Petrobrás declarava sua missão da seguinte forma:

Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua.

Quando eu apresentava essa missão aos meus alunos costumava omitir de qual empresa era e pedia para que eles tentassem adivinhar. Perceba que é impossível. Nada no texto faz referência ao mercado ou ao negócio da estatal.

O ponto forte desta missão é que ela contém recados claros para os principais públicos da companhia. Ela diz aos acionistas que atua de forma segura e rentável; diz aos preocupados com a sustentabilidade que tem responsabilidade social e ambiental; e diz ao governo que contribui para o desenvolvimento do Brasil.

O ponto fraco fica justamente por conta da ausência de referência ao core business da empresa, não fazendo qualquer referência ao mercado em que ela atua.

Creio que para corrigir esse problema, o texto foi alterado recentemente e hoje (2014) está publicado da seguinte forma no site da companhia:

Atuar na indústria de petróleo e gás de forma ética, segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, fornecendo produtos adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atuamos.

Perceba que pouca coisa mudou na essência. Apenas foi incluído no começo do texto a menção ao mercado da companhia: indústria de petróleo e gás.

Visão da Petrobrás

É no texto da Visão que as alterações do planejamento estratégico da Petrobrás são mais reveladoras, na minha opinião. O texto não mudou, mas o modo como ele é apresentado nos proporciona uma boa oportunidade de aprendizado.

A Visão de uma empresa deve ser uma espécie de desafio ou objetivo de longo prazo. Deve responder a perguntas do tipo: Para onde estamos indo? Onde e como queremos estar no futuro?

Praticamente desde que o petróleo do pré-sal foi descoberto em 2007, a empresa adota o mesmo texto em sua Visão:

Ser uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e a preferida pelos nossos públicos de interesse.

Sabemos que a Visão deve refletir a realidade do ambiente e das condições de mercado enfrentadas pela empresa e deve ser flexível o suficiente para dar conta das mudanças que sempre acontecem no macro ambiente. Quando esse texto foi proposto pela primeira vez, a Petrobrás era a oitava maior empresa de energia do mundo e a perspectiva de aumento na produção com o pré-sal permitia perfeitamente se pensar em levá-la até a quinta posição. Então o site dizia: “Visão 2012″. Ou seja, a empresa pretendia alcançar a quinta posição até o ano de 2012.

Porém, uma variável do macro ambiente de origem legal impediu que isso fosse possível. O Congresso e o Governo (Federal e Estaduais) demoraram para estabelecer um acordo sobre qual deveria ser o modelo de exploração do petróleo do pré-sal e como deveria ser a partilha do dinheiro que ele geraria entre os Estados e Municípios.

Assim que percebeu essa dificuldade, a Petrobrás não mudou o texto de sua Visão, mantendo-o exatamente como acima. Porém, fez uma mudança sutil, que no site apareceu da seguinte forma: “Visão 2020″. Ou seja, em 2012 ela passou a acreditar que, com o atraso na legislação, somente em 2020 seria possível alcançar a quinta posição entre as maiores empresas de energia do mundo.

Chegando ao final de 2013 a empresa percebeu que o cenário mudou novamente e que não será possível alcançar a quinta posição em 2020.

Entre 2010 e 2013 a empresa perdeu 50% de seu valor de mercado e caiu da 12ª para a 120ª posição entre as maiores empresas do mundo.

Para dar conta dessa nova realidade, mais uma vez a empresa manteve o texto de sua Visão exatamente como apresentado acima, porém fazendo mais uma mudança na data. Atualmente essa é a “Nossa Visão 2030″.

Minha opinião é que, na prática, lançar um objetivo para tão longo prazo (daqui até 2030 são 18 anos) significa que a companhia tem poucas certezas de que conseguirá alcança-lo e está esperando que sua situação política se estabilize (creio que hoje o STF deve definir sobre a CPI da Petrobrás) para reavaliar sua visão.

Continuarei acompanhando.

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