Cedilha 2008: Pampas del Sur Reserva Syrah

Pampas Del Sur Reserva Syrah 2008

Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o quarto.

O ano anterior, 2007, foi de muitas muitas mudanças. Talvez por isso esse ano de 2008 foi de certa estabilidade e maturação. Minha avaliação é que a partir desse momento a Cedilha começou a descobrir sua verdadeira vocação e a consolidar seu know how. Continuamos prestando uma grande variedade de serviços, mas aos poucos fomos nos concentrando naquilo em que éramos melhores.

Passamos a privilegiar em nosso trabalho a elaboração de projetos editoriais, para mídia impressa e digital. Catálogos, livros, revistas, jornais, portais de conteúdo, blogs… Em 2008, por exemplo, dedicamos bastante energia para o AgroRede Notícias, um jornal voltado ao agronegócio que produzimos entre o final de 2007 e a metade de 2009 e que cumpriu muito bem seu papel nesse período.

Em 2007 pusemos a cara no mercado. Atendemos um número recorde de clientes e, por isso, o nome da empresa ficou conhecido. Como consequência em 2008 fomos muito procurados. Chegamos a fazer 2 vezes mais orçamentos que o de costume. Para mim esse era um sinal claro de que a empresa tinha atingido outro patamar e tinha todas as condições para se firmar de uma vez por todas no movediço mercado da comunicação de Londrina.

Ainda não era um novo patamar em termos de faturamento ou de sucesso financeiro para empresa, pois, mesmo com tanta procura, fomos mais conservadores para tentar evitar os erros de 2007. Financeiramente os dois anos foram muito parecidos. Mas foi sim um novo patamar para a nossa marca que ganhou força e se consolidou, construindo uma reputação que com certeza é a maior conquista que a empresa já teve em todos esses anos. Por conta disso muitas portas se abririam nos anos seguintes.

Então, o vinho para representar 2008 tinha que ser um vinho de bastante força. Logo pensei na uva Syrah (ou Shiraz). Uma vez li que essa uva é caracterizada pelo “excesso de acidez e presença de taninos potentes, por vezes difíceis de controlar”… Essa característica acaba produzindo vinhos marcantes e de grande presença, até um pouco difíceis de harmonizar, mas que são complexos de muito bom gosto.

É um pouco de pretensão achar que a Cedilha tem todas essas características, mas para mim, com certeza os acontecimentos de 2008 a colocaram nesse caminho e representou o começo de uma nova fase que viria já a partir do ano seguinte.

Encontrei então esse Pampas Del Sur Reserva Syrah 2008. Excelente vinho argentino.

Pretendo degustá-lo no futuro acompanhado de um escondidinho de mandioca com carne seca. Prato forte e vinho forte! Que os dois se digladiem e que o paladar tente acompanhar.

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Cedilha 2007: Muito trabalho e pouco Glamour

Cedilha 2007Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o terceiro.

No ano anterior tínhamos mudado radicalmente o modelo de negócio da empresa, que deixou de funcionar no meu quarto para ter uma sede de verdade em uma sala comercial de verdade, ganhei dois sócios e passamos a oferecer um leque maior de serviços, que iam da confecção de logotipos e cartões de visitas até campanhas publicitárias completas para todas as mídias.

Por isso o ano de 2007 foi de muito trabalho e, talvez por isso, pouco glamour. Altos e baixos. Foi até hoje um dos anos em que mais produzimos e com certeza o ano em que atendemos o maior número de clientes individuais, mas também acredito que foi o ano em que tivermos mais problemas.

Não foi difícil perceber que tínhamos errado no core business. Montamos um plano de negócio que queria abraçar o mundo. Aos poucos percebemos que isso daria muito trabalho e pouco retorno. Eu, meus dois sócios e mais dois funcionários, poir mais competentes que fossemos, éramos pouca gente para muito serviço.

Foi um desses clientes que nos presenteou no final do ano com esse vinho que escolhi para representar 2007. Um vinho simples, de uma marca simples, nada sofisticado, promocional, com rótulo personalizado com a marca do nosso cliente, produzido em grandes quantidades e vendido bem barato…

Como foi um ano confuso, apesar de produtivo, o vinho também tinha que ser um pouco confuso. Não faço ideia de qual uva seja feito e apenas suponho que tenha sido produzido em 2007. Nunca saberei!

Não tenho planos ambiciosos para tomar este, pois há uma grande chance de que não esteja em condições de consumo daqui há alguns anos. Caso aconteça talvez o utilize para temperar uma boa salada.

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Cedilha 2006: Castillo de Molina Reserva Cabernet Sauvignon

Castillo de Molina Reserva Cabernet Sauvi

Em 2015 a Cedilha Comunicação Digital completa 10 anos de atividade. Para comemorar selecionei 10 vinhos, um para cada ano de atividade da empresa. Este é o segundo.

Depois de um primeiro ano trabalhando praticamente sozinho, 2006 foi um maravilhoso ano de consolidação. Ganhei dois sócios (meu irmão e um amigo) para esse negócio e as esperanças se renovaram.

O ano começou com muitas mudanças e muito trabalho. Encontramos um endereço comercial de verdade, uma sala linda, espaçosa e muito bem localizada, muito diferente do meu quarto. Refizemos o plano de negócio e redefinimos o planejamento estratégico da empresa, que deixou de ser exclusivamente uma fábrica de sites para se tornar uma agência de completa de Comunicação e Design. No mesmo esforço reformulamos sua missão, visão e valores…

Diante de tantas mudanças precisávamos de um novo nome, que representasse a nova identidade da empresa. Antes ela se chamava infoNauta, nome que na nossa opinião era muito banal. Essa acabou sendo uma das tarefas mais difíceis. A certa altura tínhamos tudo, menos o nome. Fizemos vários brainstorms e no final tínhamos uma lista com uma dúzia de possibilidades mas nenhuma delas saltava aos olhos.

Para decidir o nome, fiz então uma pesquisa de mercado. Elaborei um sistema que apresentava de um lado a lista de possíveis nomes e do outro lado um dos valores que escolhemos para a empresa. Coloquei esse sistema na internet e mandei para todo mundo que eu conhecia. O que eles tinham que fazer era dizer na opinião deles qual dos nomes da lista melhor representava aquele valor. O sistema ia armazenando as respostas e no final emitiu um relatório contendo quais os nomes foram mais escolhidos para cada valor.

Nesse relatório, destacou-se o nome Cedilha. Não sei bem porque coloquei esse nome na lista, mas no fim das contas (literalmente), ele era o que melhor representava a nova identidade da empresa. Não era americanizado, era moderno, diferente, descontraído… Serviu!

Com a mudança, financeiramente a empresa aumentou 12 vezes de tamanho e a quantidade de trabalho deve ter sido multiplicada por mil. Era o sinal de que muitos desafios vinham pela frente. Mas isso é assunto para outros vinhos.

Para esse ano de mudanças e principalmente de consolidação, tinha que escolher um vinho tradicional, mas ao mesmo tempo um pouco ousado. Sendo assim, a uva dificilmente seria outra que não a cabernet sauvignon. Deixei para comprar esse vinho muito tarde e foi bem difícil encontrar um 2006. Acabei encontrando um Castillo de Molina Reserva, Cabernet Sauvignon, do Cachapoal Valley, no Chile. Um vinho tradicional, porém não da região mais clássica do Chile (o Vale Central). Assim como o novo nome da empresa, serviu… Como uma luva.

Penso em saboreá-lo no futuro com um bom filet mignon na manteiga, talvez com champignon, bem temperado, acompanhado de uma massa a um sugo bem discreto.

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Cedilha 2005: Pata Negra Gran Reserva

Pata Negra Gran Reserva 2005Tinha que começar bem! O vinho escolhido para representar o primeiro ano de atividade da Cedilha Comunicação Digital foi um Pata Negra Gran Reserva safra 2005.

A história da empresa começa na verdade em 2004, quando eu ainda trabalhava como assistente de marketing em uma faculdade mas já começava a ter meus próprios clientes, mas foi em 2005 que conseguir formalizar esta atividade e passei a me dedicar exclusivamente a ela. Fico muito feliz quando me lembro que alguns desses primeiros clientes estão comigo até hoje, afinal, ninguém manteria um fornecedor por mais de 10 anos se o trabalho não fosse bem feito.

Mas, vamos falar de vinho… Porém não muito, pois esse é um daqueles assuntos que pode fazer qualquer um parecer babaca. Leia, por exemplo esse lindo floreio:

O tanino de caráter rijo junta-se ao caramelo de milho e dá tintas finais à uma coloração entre o rubi e frutas negras do semi-árido -com halo aquoso ainda em formação.

Palavras tão belas podem parecer a descrição de um vinho dos caros, mas não passa do Xico Sá falando da Jurubeba. Não sou especialista nem nos vinhos nem nas palavras. Só quero um pretexto para lembrar dessas histórias.

2005 foi um bom ano. As coisas estavam se consolidando. O que antes parecia um sonho absurdo de um profissional de comunicação que queria trabalhar com tecnologia começou a se tornar realidade e muitas esperanças se alimentaram. A empresa começou se chamando infoNauta e eu atendia os primeiros clientes no meu quarto. As vezes minha mãe preparava café para as reuniões que aconteciam em volta da minha cama ou em uma escrivaninha trambolhosa que mandei fazer com medidas absurdas que eu jurava serem as corretas.

Para relembrar toda essa esperança, tinha que escolher um bom vinho, dentro dos critérios que havia estabelecido.

Pata Negra Gran Reserva 2005 é um vinho feito da uva Tempranillho com denominação de origem, ou seja, feito conforme as tradições de uma certa região, nesse caso chamada Valdepañas, na Espanha.

Essa é uma receita clássica dos grandes vinhos: produzido a partir de uma grande uva processada aos modos de uma região ou de uma tradição vinícola. Sempre procurei transportar essa receita para a Cedilha. Acredito que um dos segredos desses 10 anos foi usar sempre tecnologia e metodologias de ponta mas com uma pegada local.

Vai ser bastante difícil conseguir isso por aqui, mas, como ela representa a esperança de um sonho que estava nascendo, não custa continuar sonhando… Quando abrir essa garrafa seria fabuloso saboreá-la acompanhando um legítimo presunto pata-negra.

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Cedilha Comunicação Digital: 10 vinhos para contar a história de 10 anos

Daqui há alguns meses a Cedilha Comunicação Digital completará 10 anos de atividade. Não é preciso dizer que durante todo esse tempo foi necessário enfrentar e superar muitos desafios e que muitos deles ainda virão.

Há 10 anos eu havia terminado a faculdade Relações Públicas e estava encantado com os primeiros passos de uma internet verdadeiramente interativa e social que apareceu após o estouro da bolha. Optei então por deixar meu emprego e empreender pois queria trabalhar fazendo sites. Criei então esta empresa que em seu primeiro ano se chamou InfoNauta - por isso o nome desse blog - e depois passou a se chamar Cedilha.

Apesar de todas as dificuldades e percalços posso dizer que tem valido a pena. São 10 anos de muito aprendizado e, principalmente, de muitas oportunidades. Por isso não poderia deixar de registrar de um modo especial toda essa história.

Não me lembro muito bem quando comecei, mas há algum tempo passei a colecionar uma garrafa de vinho para cada ano de atividade completado pela empresa, seguindo alguns critérios simples:

  1. O ano da safra do vinho de cada garrafa deve corresponder a um ano de atividade da empresa;
  2. De alguma maneira o vinho escolhido para um determinado ano deve ter relação com o momento que a empresa viveu naquele ano, destacando seus altos e baixos (ou seja, certamente haverão vinhos bons e vinhos ruins);
  3. O preço máximo de cada garrafa deve ser de R$ 60,00.

Ainda não escolhi o vinho para representar 2014, até porque os vinhos desta safra ainda não chegaram ao mercado e o ano ainda não acabou, mas aceito sugestões!

As nove garrafas colecionadas até agora estão todas guardadas e não sei quando terei coragem para começar a abri-las. Por enquanto farei um post apresentando o vinho escolhido para cada ano e o motivo de sua escolha e assim, talvez, quando abrir, poderei escrever sobre a experiência de tomar cada uma delas.

2005 | 2006 | 2007 | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014

In vino veritas.

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Quem tem medo da Dona Ilma?

Dona Ilma trabalha na escola há tanto tempo que não há qualquer outro ali que possa dizer desde quando.

A escola é igual a tantas ouras. Corredores compridos com salas de aula intercaladas lado a lado.

A sala da Dona Ilma fica no fim de um desses corredores. O único em toda a escola onde há salas que não são de aula.

Todos na escola sabem quem é a Dona Ilma e todos sabem que ela é importante. Há uma aura de respeito que beira ao temor em torno de tudo que diz respeito a ela.

– Vou contar pra Dona Ilma! Apelam diante de qualquer ameaça os alunos perseguidos e sem muita esperteza para se defenderem sozinhos.

Poucos sabem exatamente qual a função da Dona Ilma. Ela não é professora e nem diretora da escola. Secretária ela também vive esbravejando que não é. Talvez seja esse mistério que lhe garanta o respeito.

– Sei lá. Melhor não ser mandado para a sala da Dona Ilma. Ela é brava.

Como em uma escola pode haver alguém tão brava que todos temam? A menos que seja um daqueles liceus onde se pode dar palmadas e forçar ajoelhar sobre grãos de milho, o que há naquela sala para se temer tanto? Uma bronca? Uma advertência? De que elas servem nos dias de hoje?

E quem é que deu à Dona Ilma o poder da bronca? Porque a bronca dela parece valer mais que as das professoras de cada sala? Até o prenome reforça o mito. Ela é Dona e as outras são Tias.

Mas tem uma tia que, um dia por ano, se vinga do medo. Ela descobriu o caminho por acaso,sem planejamento e, mesmo sabendo que aquilo somente se repetiria uma vez por ano e que duraria apenas o tempo de uma única aula, era esse o momento que ela esperava com mais devoção. Era a professora do quarto ano A.

Aquilo se tornou um apoio sobre o qual ela depositava toda sua frustração com o sistema educacional e sua decepção com a escola. Ela via ali uma oportunidade de se desfazer do sentimento de impotência que a acometia quando se dava conta de que as crianças estavam sendo aprisionadas ao medo.

A coisa se repete já há uns dez anos. A sala do quarto ano A é uma das poucas salas de aula que ficam no mesmo corredor que a sala da Dona Ilma. As outras salas dali não são de aula.

Acontece apenas alguns dias após o dia da primeira prova, lá pelo mês de maio, quando os alunos, as professoras e a Dona Ilma são bastante cobrados e acabam ficando mais tensos. Com medo.

Nesse dia que já virou ritual a professora escreve a data no quadro a giz, pede para que os alunos abram o livro na página 72 e anuncia em um tom que faz parecer que aquele é o assunto mais interessante de todos:

– Hoje vamos falar de pronomes de tratamento.

Então ela vai explicando que a cada autoridade é reservado um pronome de tratamento formal, que deve ser utilizado em correspondências oficiais e convites dirigidos a elas, bem como em cerimoniais de eventos em que se fizerem presentes e precisarem ser anunciadas.

Os alunos até que gostam de saber que as autoridades de Estado dever ser chamadas de Vossas Excelências ou Excelentíssimos Senhores, que o bispo não é só Dom, mas também é Vossa Eminência ou Eminentíssimo Senhor. Tem sempre um que acha exagero chamar o reitor da universidade de Vossa Magnificência ou Magnífico Senhor.

– Ah! Eu já vi chamarem o papa de Vossa Santidade na TV.

Eles se atrapalham mesmo é com as abreviações. V. Ex.ª e V. Mag.ª parecem mais fórmula de matemática que coisa da aula de português.

É no fim da aula que a professora vai a forra. Depois de já ter explicado todos os pronomes, vocativos e abreviações correspondentes, ela diz que há um pronome reservado para quando a autoridade não é tão autoridade assim. Nesses casos o fulano que se acha importante mas não tem um cargo que se enquadre nos outros casos deve ser chamado de Ilustríssimo.

Ela faz em tom de deboche, para que os alunos percebam que isso é título para quem se acha mais importante do que é de fato. Eles até começam a chamarem uns aos outros de Ilustríssimos e Ilustríssimas.

Nessa hora muitos já estão rindo quando se dão conta de que no caso feminino a abreviação do pronome dos egos inflados é… Ilma.

O riso vai aumentando e logo se torna uma gargalhada generalizada. Como se todos passassem a entender por que a Dona Ilma se chama Ilma.

A Iluminíssima Dona Ilma ouve os risos e depois da aula elogia a professora por ter conseguido despertar os ânimos da turma tão fervorosamente.

Para esses alunos o medo da Dona Ilma vira deboche disfarçado. Ninguém mais depois do quarto ano, turma A, tem medo da Dona Ilma. Aparece um riso preso no canto da boca toda vez que o nome da toda poderosa é evocado.

E a professora… Bem, a professora fica feliz por tê-los libertado e fica esperando o próximo ano, quando alguns dias depois da primeira prova terá a chance de se vingar novamente.

Eu sou do quarto ano A.

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Missão: entender a missão da Petrobrás

Como leciono disciplinas de Administração e Gestão Estratégica para o curso de Comunicação, tenho acompanhado há algum tempo o modo como algumas empresas expressivas lidam com seu Planejamento Estratégico, especialmente aquela parte que deve ser pública e transparente, que normalmente contém a declaração da missão, da visão, dos valores e outros enunciados importantes para que possamos conhecer um pouco sobre a identidade uma organização.

Uma dessas empresas que optei por acompanhar tem sido a Petrobrás. Isso vem desde que me convenceram a colocar parte do meu Fundo de Garantia em ações da petroleira. Nesse período, a estatal vinha mantendo certa estabilidade em seu Planejamento Estratégico e poucas mudanças ocorreram em sua missão e visão, até que, em 2007, foi descoberto o petróleo do-pré sal e algumas alterações começaram a aparecer.

Estou escrevendo aqui com pouquíssimo conhecimento de causa, uma vez que tudo o que sei é o que vejo no site oficial da companhia e no noticiário em geral. Mas mesmo assim é possível aprender algumas coisas importantes sobre o Planejamento Estratégico observando as mudanças feitas pela Petrobrás em sua missão e visão nos últimos anos.

Missão da Petrobrás

A Missão de uma empresa deve representar claramente sua razão de ser. Deve responder a perguntas do tipo: Quem somos? Para que existimos? O que e como fazemos?

Até 2013 a Petrobrás declarava sua missão da seguinte forma:

Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua.

Quando eu apresentava essa missão aos meus alunos costumava omitir de qual empresa era e pedia para que eles tentassem adivinhar. Perceba que é impossível. Nada no texto faz referência ao mercado ou ao negócio da estatal.

O ponto forte desta missão é que ela contém recados claros para os principais públicos da companhia. Ela diz aos acionistas que atua de forma segura e rentável; diz aos preocupados com a sustentabilidade que tem responsabilidade social e ambiental; e diz ao governo que contribui para o desenvolvimento do Brasil.

O ponto fraco fica justamente por conta da ausência de referência ao core business da empresa, não fazendo qualquer referência ao mercado em que ela atua.

Creio que para corrigir esse problema, o texto foi alterado recentemente e hoje (2014) está publicado da seguinte forma no site da companhia:

Atuar na indústria de petróleo e gás de forma ética, segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, fornecendo produtos adequados às necessidades dos clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atuamos.

Perceba que pouca coisa mudou na essência. Apenas foi incluído no começo do texto a menção ao mercado da companhia: indústria de petróleo e gás.

Visão da Petrobrás

É no texto da Visão que as alterações do planejamento estratégico da Petrobrás são mais reveladoras, na minha opinião. O texto não mudou, mas o modo como ele é apresentado nos proporciona uma boa oportunidade de aprendizado.

A Visão de uma empresa deve ser uma espécie de desafio ou objetivo de longo prazo. Deve responder a perguntas do tipo: Para onde estamos indo? Onde e como queremos estar no futuro?

Praticamente desde que o petróleo do pré-sal foi descoberto em 2007, a empresa adota o mesmo texto em sua Visão:

Ser uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e a preferida pelos nossos públicos de interesse.

Sabemos que a Visão deve refletir a realidade do ambiente e das condições de mercado enfrentadas pela empresa e deve ser flexível o suficiente para dar conta das mudanças que sempre acontecem no macro ambiente. Quando esse texto foi proposto pela primeira vez, a Petrobrás era a oitava maior empresa de energia do mundo e a perspectiva de aumento na produção com o pré-sal permitia perfeitamente se pensar em levá-la até a quinta posição. Então o site dizia: “Visão 2012″. Ou seja, a empresa pretendia alcançar a quinta posição até o ano de 2012.

Porém, uma variável do macro ambiente de origem legal impediu que isso fosse possível. O Congresso e o Governo (Federal e Estaduais) demoraram para estabelecer um acordo sobre qual deveria ser o modelo de exploração do petróleo do pré-sal e como deveria ser a partilha do dinheiro que ele geraria entre os Estados e Municípios.

Assim que percebeu essa dificuldade, a Petrobrás não mudou o texto de sua Visão, mantendo-o exatamente como acima. Porém, fez uma mudança sutil, que no site apareceu da seguinte forma: “Visão 2020″. Ou seja, em 2012 ela passou a acreditar que, com o atraso na legislação, somente em 2020 seria possível alcançar a quinta posição entre as maiores empresas de energia do mundo.

Chegando ao final de 2013 a empresa percebeu que o cenário mudou novamente e que não será possível alcançar a quinta posição em 2020.

Entre 2010 e 2013 a empresa perdeu 50% de seu valor de mercado e caiu da 12ª para a 120ª posição entre as maiores empresas do mundo.

Para dar conta dessa nova realidade, mais uma vez a empresa manteve o texto de sua Visão exatamente como apresentado acima, porém fazendo mais uma mudança na data. Atualmente essa é a “Nossa Visão 2030″.

Minha opinião é que, na prática, lançar um objetivo para tão longo prazo (daqui até 2030 são 18 anos) significa que a companhia tem poucas certezas de que conseguirá alcança-lo e está esperando que sua situação política se estabilize (creio que hoje o STF deve definir sobre a CPI da Petrobrás) para reavaliar sua visão.

Continuarei acompanhando.

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Jornalistas, vocês estão fazendo isso errado!

No campo da Comunicação, o Jornalismo para mim é a área mais desconhecida. Mas pelo pouco que sei desta praia, como cidadão, leitor de jornal e consumidor de notícias em todas as mídias, dá perceber quando alguma coisa está estranha.

Assunto das últimas semanas, a situação do Deputado Federal André Vargas (PT-PR) tem sido noticiada todos os dias, especialmente por aqui, em Londrina, onde moro e onde é a base eleitoral do Deputado. Até ontem era certo que ele renunciaria. Hoje a notícia é que ele não renunciou. E parece que isso tudo ainda vai longe, a final ainda temos alguns meses até a eleição e, quanto mais esses “escândalos” renderem, melhor para os adversários.

Tudo bem, mas isso é o normal da cobertura diária de política. O que há de novo nesse caso?

Para mim o que chamou a atenção foram as fontes citadas nas reportagens, seja para afirmar que o Deputado renunciaria ou para informar que ele desistiu de renunciar e que talvez enfrente a Comissão de Ética…

O pouco que sei sobre os cânones do jornalismo dá conta que os jornalistas precisam ouvir os dois lados de uma história e para isso possuem suas fontes. Tais fontes devem ser críveis, mas, vez por outra podem ser omitidas para que sejam protegidas e continuem colaborando com o jornalista.

Na Questão Vargas, os jornalistas estão tendo como fonte o próprio Deputado! Olha que legal! Alguns conseguiram o número do telefone celular do parlamentar e com isso puderam trocar mensagens diretamente com ele para saber se renunciaria ou não. Boa fonte! Parabéns.

Mensagens com Andre Vargas

Porém, contudo, no entanto, os papos via celular vieram parar dentro das próprias notícias. Assim mesmo como na imagem acima… A telinha do celular com o papo entre o Jornalista e o Deputado estão aparecendo na TV.

Jornalista, o celular aqui é só o meio… Sua fonte é o próprio Deputado. Bastaria dizer que ele afirmou que renunciaria. Não era necessário colocar a telinha do seu celular ali, na notícia, pra todo mundo ver. Agora todo mundo sabe que é assim que você consegue as notícias!

Duas coisas vão te acontecer agora. Caso ainda não estejam acontecendo ou você ainda não saiba, são elas:

1) outros parlamentares espertinhos vão dar um jeito de te fazer saber o número do celular deles para  “sem querer” deixar vazar informações “importantes” para a eleição. Isso significa que ao evidenciar o modo como você faz a notícia, os espertinhos vão te manipular pois descobriram como virar notícia.

2) o Deputado André Vargas e outros rabos-presos vão te bloquear ou te ignorar, deixando de te responder para não correr o risco de que as mensagens deles apareçam na TV.

Ah! Não se esqueça de que tudo começou por que a Polícia Federal grampeou mais de 6 mil mensagens entre Vargas e Yousseff… Proteja suas mensagens ai, espertão, senão elas atuarão contra você.

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O Marco Regulatório Civil da Internet e a história do mercado publicitário brasileiro

Enquanto escrevo esse post a Câmara dos Deputados deve estar decidindo se coloca ou não em votação o Projeto de Lei que cria o Marco Regulatório Civil da Internet no Brasil. Isso tem acontecido pelo menos há três semanas. Toda terça o governo (PT) promete colocar o projeto em votação, mas desiste depois de ameaças do PMDB de não aprovar o texto como está.

O impasse

O Deputado Federal Alessandro Molon (PT-RJ) é o relator do Projeto de Lei defendido pelo governo federal. Seus principais opositores são os Deputados do PMDB, que além de não estarem de acordo com o projeto “oficial” prepararam um projeto substitutivo com as alterações de seu interesse.

O PMDB tem dado duas opções ao governo: ou o PT altera alguns pontos no projeto original, ou o PMDB não aprova o projeto original e coloca em votação seu projeto substitutivo.

O projeto original possui pelo menos dois pontos sensíveis que há semanas são discutidos por PT e PMDB.

O primeiro desses pontos é a exigência de que os provedores de acesso à internet mantenham o histórico de navegação de seus usuários em data centers localizados no Brasil, como forma de “blindar” o país de espionagens externas mas também como forma de facilitar o acesso a esses dados caso a justiça, em algum processo, venha a autorizar a quebra do sigilo digital de algum cidadão. O projeto original previa esse mecanismo mas o governo já abriu mão dessa parte do texto e ela não mais fará parte do Marco Civil da Internet, ficando os provedores livres para manter seus data centers e registros de acesso em qualquer lugar do mundo, pelo menos até que surja alguma outra lei regulamentando essa questão.

O segundo ponto, mais polêmico, é tão falada neutralidade da rede. O texto do governo pretende manter as coisas como estão, ou seja, manter o princípio da neutralidade praticado atualmente na internet. Com a neutralidade, todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando com a mesma velocidade. É esse princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede. Sem a neutralidade os provedores poderão dar tratamento diferenciado ao tráfego de cada usuário, cobrando mais ou alterando a velocidade do acesso dependendo do tipo de informação que cada um estiver acessando. O PMDB é contra a neutralidade e esse é o principal ponto que está impedindo a votação do projeto.

O projeto também trata da privacidade dos usuários e da liberdade de expressão, mas esses pontos não são alvos das negociações entre PT e PMDB, pelo menos não publicamente.

Independente desse projeto ser ou não votado hoje e de se manter ou não o princípio da neutralidade, já é possível tirar boas lições desse processo todo, especialmente quando comparamos com episódios parecidos ocorridos no passado.

O mercado publicitário e as lições do passado

Em outras épocas, mais precisamente entre as décadas de 1940 e 1970, os meios de comunicação que hoje chamamos de tradicionais (jornal, revista, rádio e televisão) eram a bola da vez. Naquela época havia uma crescente preocupação do mercado em relação as tentativas feitas pelo governo de regulamentar  o mercado das mídias, principalmente no que diz respeito à veiculação de publicidade.

Para conseguir participar das discussões sobre essas leis, o mercado publicitário se uniu criando uma série de entidades representativas capazes de defender os interesses do setor junto à sociedade e até mesmo junto ao governo, impedindo que legislações paralizantes fossem aprovadas. Assim, em 1949 foi criada a ABAP (Associação Brasileira das Agências de Propaganda); em 1959 foi criada a ABA (Associação Brasileira dos Anunciantes); em 1962 foi criada a ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão); em 1979 foi criada a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e em 1986 foi criada a ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas).

Mais do que conseguir negociar uma legislação mais branda com o governo, essas entidades representativas (e algumas outras como a Central do Outdoor) juntas conseguiram quase que evitar completamente que tais leis fossem criadas, minando por completo as iniciativas do governo em regulamentar o setor. Elas conseguiram criar um eficiente mecanismo de autorregulamentação capaz de manter o setor em ordem mesmo sem muito controle governamental.

Uma das iniciativas dessas entidades foi a criação do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que é um documento que contém orientações sobre o que pode e o que não pode ser dito nas peças publicitárias. E, para fazer cumprir o disposto nesse documento, criaram o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que se apresenta da seguinte forma:

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária nasceu de uma ameaça ao setor: no final dos anos 70, o governo federal pensava em sancionar uma lei criando uma espécie de censura prévia à propaganda. Se a lei fosse implantada, nenhum anúncio poderia ser veiculado sem que antes recebesse um carimbo “De Acordo” ou algo parecido. (CONAR)

A internet e a conclusão

Em resumo, o que aconteceu no mercado publicitário foi o seguinte: o governo faria leis que, caso fossem duras demais, prejudicariam todo o setor, tornando-o menos dinâmico. Para participar das discussões, o mercado criou entidades representativas que, juntas, foram capazes de anular quase que totalmente a necessidade dessas leis, criando um eficiente mecanismo de autorregulamentação.

E no caso da internet? Como as coisas estão acontecendo? Há uma ameaça ao setor, como aconteceu com a publicidade no fim dos anos 70?

Por ainda ser uma tecnologia nova, que mal sabemos exatamente que potencial tem, a internet não possui até o momento entidades representativas fortes. É possível citar como defensoras dos interesses da web várias entidades, mas também é possível perceber que elas estão pouco articuladas.

Por exemplo, existem inúmeras Associações de Provedores mas nenhuma com representatividade de fato sobre o setor. É como se as associações da internet ainda estivessem competindo entre si para conquistar mais associados, ao invés de defender os interesses do setor e negociar com o governo uma legislação melhor.

O mercado da internet não conseguiu se organizar a tempo. Por isso hoje suas regras são discutidas pelo PT e pelo PMDB, e não por suas entidades representativas, como aconteceu com o mercado publicitário no passado.

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O PIB, o Brasil e o Capital

Embora esteja entre meus interesses, a Economia não é exatamente minha área. Por isso não pretendo neste post fazer juízo de valores ou qualquer tipo de julgamento a respeito de sistemas econômicos ou políticos. Pretendo apenas estabelecer algumas relações entre alguns números fundamentais e gerais da economia mundial.

De acordo com números do Banco Mundial, o PIB do mundo em 2012 foi de U$ 71,67 trilhões. Isso significa que a soma de todas as riquezas produzidas no mundo em todo o ano de 2012 em todos os países do mundo, chega perto de setenta e dois trilhões de dólares americanos.

A participação do Brasil, 7ª economia do mundo, neste bolo é de apenas U$ 2,253 trilhões. Mas o nosso principal drama tem sido a baixa velocidade com que esse número cresce. Nos últimos 3 anos com números já fechados o PIB brasileiro cresceu muito pouco, em um ritmo inferior à média do mundo. Em 2011 crescemos 2,7%, em 2012 crescemos 0,9% e em 2013, número recentemente divulgado, crescemos 2,3%, conforme dados do IBGE.

Generalizar normalmente não é uma boa coisa a e fazer, pois não permite avaliar as peculiaridades de cada realidade, mas mesmo assim é possível, por meio da generalização, fazer algumas comparações e inferir algumas considerações importantes sobre esses dados.

Relação PIB / População

O mundo tem 7,046 bilhões de habitantes. Isso significa que, em 2012, o total de riquezas produzidas (U$ 71,67 trilhões) correspondem a U$ 10.170,68 por habitante, o que equivale a U$ 847,56 por mês por pessoa. Considerando o câmbio atual, com o dólar a R$ 2,34, se o PIB mundial em 2012 fosse distribuído equitativamente por todos os habitantes da Terra, cada um teria uma remuneração mensal de R$ 1.983,29. Mais do que suficiente para garantir uma vida digna na maioria dos países.

Fazendo a mesma relação com os números do Brasil, temos o seguinte cenário:

Tínhamos em 2012 uma população de 198,7 milhões de pessoas (atualmente somos 202.290.000 de brasileiros, segundo o IBGE).  O total de riquezas produzidas no Brasil em 2012 (U$ 2,253 trilhões) correspondem a U$ 11.876,64 por habitante, o que equivale a U$ 989,72 por mês por pessoa. Considerando o câmbio atual, se o PIB do Brasil fosse distribuído equitativamente para todos os brasileiros, cada um teria uma remuneração mensal de R$ 2.315,94. Mais do que suficiente para garantir uma vida digna por aqui.

O PIB e o Capital

Os números acima mostram que o total de riquezas produzido no mundo é o suficiente para garantir dignidade a todos os habitantes do planeta. Mas sabemos que não é assim, pois o PIB não é distribuído igualmente entre todos. Nem deve ser.

Numa economia capitalista, como temos na maioria dos países do mundo, apenas parte das riquezas geradas são destinadas ao sustento do estilo de vida de cada um, incluindo seus gastos com alimentação, moradia, transporte, lazer, cultura, educação, saúde etc., e sua renda deve ser o suficiente para pagar essa conta.

Há uma outra parte das riquezas que é convertida em capital produtivo, que não é utilizado para o consumo das pessoas pois é empenhado no financiamento do próprio crescimento econômico, como a criação de empresas, investimentos em máquina e equipamentos, investimentos públicos e privados em infra-estrutura e até mesmo investimento no próprio crescimento do capital.

O PIB per capita brasileiro, como vimos, foi de R$ 2.315,94 em 2012. Número que fica bem próximo ao Salário Mínimo Necessário, calculado pelo DIEESE, que em 2012 foi de R$ 2.561,47 e hoje seria de R$ 2.778,63. Porém, para que tenhamos realmente condições de oferecer essa renda a cada cidadão produtivo desse país, ainda temos que avançar muito. Precisamos ser capazes de acelerar de fato (e não apenas politicamente como é feito no PAC) o investimento em infra estrutura e modernização do Brasil. Precisamos criar as condições para que se criem por aqui empresas sólidas, competitivas e sustentáveis, capazes de fazer ficar por aqui as riquezas que são geradas por aqui. Precisamos capacitar os Brasileiros, para que se tornem mais produtivos e mais capazes de gerar riquezas para si mesmos…

O caminho ainda é longo. Não dá para percorrê-lo tão devagar como estamos fazendo (crescendo entre 1 e 2% ao ano).

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